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As marcas, as gerações e a Comunicação Interna: Como atrair, engajar e reter talentos em tempos de mudanças aceleradas

As marcas, as gerações e a Comunicação Interna: Como atrair, engajar e reter talentos em tempos de mudanças aceleradas

Atrair, motivar e reter talentos deixou de ser uma equação simples baseada em pacote de benefícios ou estabilidade profissional. Em um cenário corporativo onde a busca por flexibilidade e protagonismo redefinem as relações de trabalho, as organizações enfrentam um desafio estrutural: como manter as pessoas engajadas quando as expectativas de carreira mudam tão rápido quanto o mercado?

Esse foi o pano de fundo do painel “Comunicação Interna e Relacionamento com os Empregados — As marcas e as motivações para atrair, motivar, engajar e reter as novas gerações: os desafios do progresso profissional em tempos de empreendedorismo”, apresentado na 29ª edição do Congresso Mega Brasil.

A conversa foi mediada por Elizeo Karkoski, Diretor Executivo da P3K, e contou com a participação de Júnior Ribeiro (Gerente de Marketing Institucional e Comunicação Interna da EMS), Leonardo Berto (Gerente de Operação da Robert Half) e Luiz Maurício Pereira (Gerente Sênior Global de Comunicação na The Mosaic Company).

Confira a seguir os principais insights práticos do painel, que mostram como a Comunicação Interna se conecta diretamente com essa transformação, funcionando como o elo estratégico de sustentação da cultura e do negócio. 

1. O empregador como a instituição mais confiável da sociedade 

Um dos pontos de partida trazidos por Elizeo foi o dado da Edelman Trust Barometer, que aponta o empregador como a instituição mais confiável para as pessoas — superando governos, mídias e ONGs. No Brasil, esse índice alcança 67% de aprovação.

Se, por um lado, as empresas conquistaram esse lugar de credibilidade em meio a um contexto de crises contínuas, por outro, essa confiança precisa ser mantida no dia a dia. É aí que a Comunicação Interna ganha papel central: ela é a responsável por transmitir que a promessa feita pela marca ao mercado coincida com a vivência prática do colaborador dentro da operação. 

Quando há ruído ou desalinhamento entre o discurso corporativo e a postura da liderança direta, por exemplo, a confiança se desfaz, gerando desengajamento e rotatividade de profissionais qualificados.

2. Desconstruindo estereótipos geracionais com dados reais

Ao discutir atração e retenção, é comum cair no viés de confirmar estereótipos: a ideia de que veteranos rejeitam novas tecnologias ou de que profissionais mais jovens não têm compromisso a longo prazo.

Leonardo Berto trouxe recortes de dados para mostrar que a realidade é mais complexa:

  • Flexibilidade não é desejo exclusivo da Geração Z: Profissionais da Geração X e Baby Boomers estão entre os que mais demandam flexibilidade de horários para conciliar vida pessoal, cuidados familiares e rotina de trabalho.
  • O impacto dos “pandêmicos”: A entrada no mercado de trabalho durante o isolamento social impactou o desenvolvimento das relações interpessoais de parte da Geração Z. Isso exige das empresas estratégias formais e acolhedoras de integração e convivência presencial ou híbrida.
  • Cenário de pleno emprego para mão de obra qualificada: Com a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos para profissionais com ensino superior, a guerra por talentos mudou de lado. A decisão de ficar ou sair de uma empresa está, mais do que nunca, na mão do próprio colaborador. 

A Comunicação Interna entra nesse contexto como a ferramenta capaz de mapear essas diferentes necessidades por meio de pesquisas e dados, permitindo que a empresa abandone discursos genéricos e construa mensagens e ações segmentadas.

3. Práticas de Engajamento: da teoria à operação

A conversa revelou como setores de atuações distintas utilizam a CI para humanizar as relações e fortalecer a cultura.

Diversidade no Planejamento e Ações Tangíveis 

Júnior Ribeiro compartilhou que a diversidade dentro do próprio time de Comunicação Interna é pré-requisito para criar campanhas que realmente conversem com os diferentes públicos da empresa. Na EMS, estratégias de engajamento ultrapassam os canais tradicionais: levar atrações culturais para dentro do ambiente de fábrica — como visitas de elencos de musicais patrocinados — demonstra respeito direto às equipes operacionais, promovendo orgulho de pertencer.

Segurança e Integração entre Experiência e Inovação

Na indústria de base, onde a segurança física é um valor inegociável, Luiz Pereira destacou que o desafio é harmonizar a rotina rigorosa de processos com a pressa e a vontade de inovar dos jovens recém-chegados. A Comunicação Interna atua estimulando o diálogo contínuo entre operadores veteranos e os profissionais em início de carreira, permitindo que questionamentos tragam melhorias contínuas sem comprometer os padrões de segurança.

Transparência, Propósito e Reconhecimento

Aprofundando os fatores que retêm as novas gerações, Luiz ressaltou que engajar o profissional atual exige previsibilidade, transparência e clareza sobre o propósito da organização. Os jovens já chegam ao mercado buscando empresas com causas genuínas, e cabe à gestão e à CI traduzir como o trabalho de cada pessoa contribui para esse impacto macro. Além disso, criar espaços seguros para que as pessoas possam expressar quem realmente são e instituir uma cultura de reconhecimento frequente tornam-se boas práticas indispensáveis tanto para a comunicação quanto para os líderes de equipe.

4. O desafio da Liderança Comunicadora e a Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial tem transformado a velocidade de busca por respostas no ambiente de trabalho. No entanto, Elizeo chamou a atenção para um ponto de reflexão: o avanço do uso isolado dessas ferramentas traz um novo sinal de alerta para as organizações — a perda do hábito de conversar diretamente com os gestores e a progressiva “solidão corporativa”. 

Esse isolamento gera um impacto direto e negativo nas conexões humanas, fragilizando pontes interpessoais e provocando uma perda silenciosa de confiança no ambiente corporativo. 

Embora a IA ajude a otimizar rotinas operacionais, a tecnologia não pode substituir a escuta ativa, o alinhamento de expectativas e o acolhimento humano. Cabe à Comunicação Interna apoiar os gestores na rotina de liderança comunicadora, incentivando rituais de conversa frequentes (one-on-ones, reuniões semanais) e oferecendo insumos para que consigam conduzir suas equipes com transparência.

5. Protagonismo profissional e redesenho de carreiras

O painel ainda contribuiu com uma reflexão necessária sobre os reais motivos da rotatividade de talentos, a atração exercida pelo empreendedorismo individual e a preferência dos jovens por novos modelos formais e informais de trabalho (como a atuação por aplicativos).

Manter profissionais qualificados desempenhando tarefas repetitivas por longos períodos, sob estruturas engessadas e sem perspectiva clara de evolução, tornou-se insustentável. Segundo Leonardo Berto, para acompanhar essa transformação, as organizações precisam urgentemente redesenhar seus planos de desenvolvimento e carreira e revisar seus próprios modelos de liderança.

O protagonismo pertence ao profissional, mas cabe à empresa proporcionar um ambiente dinâmico, transparente e flexível, onde o colaborador enxergue sentido real e caminhos tangíveis de crescimento.

Comunicação Interna como Alavanca Estratégica de Gestão

Encerrando o painel, Elizeo celebrou a oportunidade de mediar um debate focado na essência das relações humanas e da cultura corporativa, destacando a relevância de discutir temas tão profundos em vez de limitar o papel da área à mera gestão de peças, canais ou demandas operacionais:

“Mais do que planejar campanhas ou gerenciar canais, nosso papel como especialistas é ajudar as organizações a transformar dados sobre suas equipes em estratégias práticas de comunicação que fortaleçam a liderança, promovam a coerência entre o discurso e a prática e gerem resultados sustentáveis para o negócio”, encerra Elizeo. 

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é o papel da Comunicação Interna no engajamento de equipes multigeracionais?

A Comunicação Interna atua desconstruindo estereótipos geracionais e segmentando as mensagens de acordo com o perfil e momento de vida dos colaboradores. Ela garante que as diretrizes da empresa sejam compreendidas por todas as gerações, respeitando diferentes linguagens e momentos de carreira.

Como a Comunicação Interna ajuda na retenção de talentos?

A CI atua diretamente no alinhamento de expectativas, no fortalecimento da cultura corporativa e no apoio à liderança comunicadora. Ao garantir transparência sobre o negócio e dar visibilidade às oportunidades de desenvolvimento, a comunicação reduz ruídos, fortalece a confiança no empregador e minimiza a rotatividade involuntária.

A Inteligência Artificial pode substituir a liderança na Comunicação Interna?

Não. Embora a Inteligência Artificial seja uma aliada estratégica para ganho de eficiência em processos e consultas rápidas, ela não substitui a empatia, o diálogo direto e a capacidade de escuta humana da liderança. O ponto é: é usar a tecnologia para liberar tempo estratégico aos gestores, fortalecendo a relação interpessoal nas equipes.

O que é liderança comunicadora e por que ela é importante?

Liderança comunicadora é a capacidade do gestor de atuar como o principal ponte entre a estratégia da empresa e o dia a dia da equipe. É através do líder direto que o colaborador tira dúvidas, recebe feedbacks e entende a relevância do seu trabalho para os objetivos organizacionais.

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